Quando comecei a criar a ideia da viagem pro Atacama, li muitos relatos de pessoas que escalavam um vulcão durante a viagem. Conversando com meus amigos sobre a viagem eu comentei: “bem que a gente podia escalar um vulcão né” e a resposta imediata foi “VAMO” “SIM” “QUERO MUITO”. O que era uma ideia acabou se tornando realidade. Algo que parecia tão surreal, aconteceu.

Antes de ir eu li muito sobre todas as dificuldades que enfrentaríamos na escalada, tontura, enjoo, dor de cabeça…  no nosso caso o frio também. Resolvemos deixar o vulcão para nosso penúltimo dia no Atacama para tentar ir se acostumando com a altitude.

Saímos bem cedinho, nosso guia nos buscou na porta do nosso hostel. A ideia era escalar o Vulcão Lascar porém ele estava ativo, então escolhemos o Cerro Toco que tem 5640 metros de altura.

Nós fomos de carro até uns 4000 metros e escalamos o resto. Chegando no ponto de partida, nosso guia nos emprestou algumas roupas mais quentes (a temperatura estava negativa) , distribuiu frutas, barrinhas de cereais e conversou com a gente sobre toda a subida, como respirar, como andar e etc. Assim que começamos a andar, eu já tava chorandinha, aquilo que eu estava vivendo era surreal.

paradinha pra observar essa vista

A primeira hora foi tranquila e fácil. A vista era incrível não importa pra onde você olhasse, criei uma playlist para a subida do Vulcão e engatei a primeira marcha

Mas foi depois de uma hora mais ou menos que a coisa foi ficando mais difícil, diminuímos a velocidade, foi ficando mais difícil de respirar. A subida foi ficando mais íngreme e as pernas não queria mais obedecer. No meio do caminho encontramos pessoas que não conseguiram terminar a subida e estavam esperando o grupo descer.

Os últimos 30 minutos foram os mais difíceis da minha vida haha Eu dava 2 passos e parava pra descansar e respirar. Eu olhava pro Luiz que também estava cansado, fazia um gesto pra animar ele e me animar, não dava pra conversar. Chegar até ali era um misto de sentimentos, você imaginava sua vida toda ali e eu não queria desistir e nem pensava nisso. Passo a passo, pedra por pedra, respiração ofegante, cabeça doendo, subimos, escalamos e chegamos no topo.

Se eu tivesse como descrever a sensação de estar no topo de um vulcão, junto com pessoas que eu amo, depois de uma viagem incrível e de 3 anos e meio sem férias eu escreveria aqui, mas eu realmente não consigo descrever. Chorei muito, solucei, abracei todo mundo e senti que tudo aquilo representava muito da minha jornada de vida.

Infelizmente lá no topo estava muito frio, nosso guia disse que estava – 15 º com sensação de -23º. Ficamos uns 10 minutinhos lá em cima (estava quase impossível ficar mais), tiramos algumas fotos, sentamos um pouquinho, chorei mais um pouquinho e resolvemos descer. A minha dica pra você é – não tire suas luvas – eu tirei pra conseguir tirar algumas fotos e meus dedos quase congelaram DE VERDADE, o guia teve que me ajudar a esquentar minha mão, meus dedos não estavam mais esticando.

A subida não é fácil, eu li em vários lugares que é tranquilo pra qualquer um e eu discordo. Acho importante se preparar um pouco antes de ir, algumas caminhadas e exercícios. Subimos em 3 horas e meia.
E pra quem achou que a parte difícil já tinha acabado, descer foi complicado. É preciso ter muita força na perna pra segurar o corpo na descida. Foram 3 horas e meia pra subir e quase duas horas pra descer.

Quando decidimos escalar, procurei muitas indicações na internet e muitos me indicaram a Vulcano Expediciones  , chamei o dono da empresa no whatsapp e ele foi muito atencioso. Pagamos 50 mil pesos cada um (aproximadamente R$310 por pessoa).

Se você ainda quer ver o que foi um pouquinho desse dia incrível, eu fiz um videozinho simples pra guardar de recordação <3